Segurança começa em casa: TecnoAtiva e KnowBe4 abrem segundo semestre de CIO Meetings com debate sobre cultura digital que vai além das empresas
Salvador, 24 de julho de 2026 – O primeiro CIO Meeting do segundo semestre da Sucesu-BA aconteceu no Casa Di Vina Hotel & Restaurante, em Itapuã, com um formato que fugiu do convencional. A TecnoAtiva, empresa baiana com 28 anos de mercado, trouxe como parceira tecnológica a KnowBe4, líder no quadrante mágico do Gartner em conscientização e aculturamento em cibersegurança. Mas antes de falar de plataformas e métricas de risco, a noite começou com um depoimento que nenhum dos gestores presentes esperava, o de uma agente da Polícia Federal especializada em crimes cibernéticos contra crianças e adolescentes.
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Renata, agente federal com sete anos de atuação na área de crimes digitais, aceitou o convite da TecnoAtiva para abrir a noite com uma perspectiva que dificilmente chega às salas de reunião de TI. Em uma apresentação densa e emocionalmente impactante, ela descreveu o cenário que enfrenta no cotidiano, adolescentes que se tornam tanto vítimas quanto autores de crimes digitais, crianças com acesso a conteúdo adulto desde os oito anos, e o papel central que a engenharia social, a mesma técnica usada em ataques corporativos, desempenha na exploração de menores na internet. “Não existe ferramenta maior do que seu filho ter em você o adulto de confiança. Antes de ele entrar em qualquer rede social, você precisa ter uma conversa com ele sobre o que vai encontrar lá”, afirmou. O relato sobre o Discord, plataforma sem moderação de conteúdo que concentra alguns dos casos mais graves investigados pela delegacia, deixou a plateia em silêncio. “Os piores casos que eu pego são nessa plataforma. Tivemos uma situação em que adolescentes no Rio de Janeiro atearam fogo em um morador de rua e transmitiram isso durante horas sem que nada fosse derrubado. Não existe moderação”, disse.
A escolha de abrir um evento de TI corporativo com essa voz não foi por acaso. Andréa Campelo, CEO da TecnoAtiva, explicou o raciocínio afirmando que o fator humano é o elo mais fraco da cadeia de segurança tanto nas empresas quanto em casa, e as duas realidades estão mais conectadas do que parecem. “O fator humano é fundamental para que a gente consiga ter uma boa gestão de riscos cibernéticos e de fato mitigar os riscos que as organizações enfrentam. A IA vem mudando tudo muito rápido e afeta essa tríade de pessoas, processos e tecnologia. A gente tem que trabalhar nessas três frentes”, afirmou. No mês em que a empresa completa 28 anos, a TecnoAtiva renovou suas certificações ISO 27001, norma internacional de segurança da informação, e ISO 27701, de privacidade e proteção de dados. “Reafirmamos nosso compromisso em prestar serviço de classe mundial para os nossos clientes”, disse Andréa.
A apresentação da KnowBe4 ficou a cargo de Daniel Teixeira, regional territory executive da empresa, que continuou a narrativa iniciada pela agente e a traduziu para o ambiente corporativo. Os números que ele trouxe não deixaram margem para conforto, cerca de 60% das violações de segurança ainda envolvem o fator humano, segundo dados da Verizon, e apenas 3% do orçamento de segurança das organizações é destinado à conscientização. “A gente tem XDR, EDR, SIEM, DLP, um açúcar de letrinhas enorme, mas no final do dia é engenharia social que joga um papel muito determinante no que vai acontecer ou não com nosso ambiente”, afirmou. A plataforma da KnowBe4 opera sobre três pilares: simulação de ataques e treinamento, segurança colaborativa e, como novidade em desenvolvimento para o Brasil, segurança de agentes de IA, que permitirá monitorar o que os colaboradores compartilham com ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude. O produto central é o KMSAT, plataforma de gerenciamento de risco que transforma comportamentos individuais de cada colaborador em um score de risco organizacional mensurável. “Risco visível é risco metrificável, e risco metrificável é o que pode ser mitigado. Algo que antes estava ali dentro da sua organização, mas você não conseguia enxergar, agora você consegue”, disse Teixeira. Entre os recursos apresentados está também o deepfake training, que simula vídeos falsos de figuras da própria organização para testar a capacidade dos colaboradores de identificar manipulação.
Henrique Roma, diretor de infraestrutura do Tribunal de Justiça da Bahia, esteve presente no evento e descreveu como a chegada da inteligência artificial tem pressionado instituições públicas a repensar suas estruturas de governança. “No início foi um descontrole, todo mundo queria colocar IA em tudo. A gente percebeu que precisaria ter uma ação mais precisa e direta”, disse. O TJBA criou uma comissão de IA formada por magistrados e servidores, e já tem projetos em produção, como um sistema de elaboração de minutas judiciais baseado em IA, integração de IA ao ProJudi, sistema judicial principal do tribunal, e uma solução de atendimento automatizado avançado. “Salvador ainda é carente em relação a ter eventos desse porte. Quando a gente tem essa oportunidade, especialmente voltada à segurança com IA, é extremamente relevante porque estamos vivendo um momento de disrupção”, afirmou.
Igor Takenami, presidente da Sucesu-BA, aproveitou a noite para adiantar os próximos passos da agenda da entidade. Após encerrar o primeiro semestre com o Congresso, a Sucesu entra no segundo ciclo com mais CIO Meetings já confirmados para as próximas semanas e o Experience previsto para setembro. “Vamos para um ambiente de hotel fazenda, mudando também a dinâmica das apresentações e reforçando o papel da Sucesu em desenvolver o mercado não só do ponto de vista econômico, mas social também”, antecipou. Para 2027, o Congresso já começa a ser desenhado. “A marca dessa gestão é a inovação. Já vamos sair no final do ano com o briefing e todo o material para a divulgação e captação, para que a gente possa trabalhar de forma mais tranquila”, disse o presidente.
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