Maior risco da IA pode estar dentro das empresas
Por Samir Chuffi, Diretor da Business Unit de Microsoft da SoftwareOne
Salvador, 22/07/2026 – Nos últimos meses, os agentes de inteligência artificial utilizados pelo judiciário brasileiro foram alvo de uma série de ataques conhecidos como Prompt Injection. A técnica, que consiste em manipular o comportamento de uma ferramenta de IA com comandos ocultos, foi identificada em diversas petições no acervo do Superior Tribunal de Justiça, com o objetivo de comprometer o sistema STJ Logos. A corte abriu investigações sobre as tentativas de fraude no final de maio, episódio que evidencia que os agentes de IA também têm seus pontos fracos.
Longe de ser um caso isolado, esses ataques refletem uma percepção que diversas empresas ao redor do mundo já haviam percebido há pelo menos um ano. A pesquisa Global Cybersecurity Outlook 2026, realizada pelo Fórum Econômico Mundial, entrevistou empresários e líderes de diferentes países e constatou que 87% deles sentem que as ferramentas de IA ficaram mais vulneráveis ao longo de 2025.
Já um artigo, também do Fórum Econômico Mundial, aponta o Brasil como o líder na adoção de agentes de IA na América Latina, destacando o elevado número de contas brasileiras no Chat GPT, superando os Estados Unidos, e iniciativas de capacitação promovidas por empresas como a Microsoft. Para consolidar essa posição de liderança, porém, o país precisa amadurecer sua relação com as ferramentas de inteligência artificial.
Qual é a qualidade do uso das ferramentas de IA?
À medida que a economia brasileira busca aumentar sua produtividade e as empresas de tecnologia avançam com os agentes de IA como protagonistas de suas estratégias, a adoção desse tipo de tecnologia cresce rapidamente em diversos segmentos.
No entanto, em inúmeros casos a adesão é feita de maneira isolada, ou seja, só uma determinada área investe na tecnologia, ou diferentes times fazem investimentos em ferramentas de IA separadas. Além disso, diversas organizações perdem o controle de quem utiliza as soluções e de quais dados ela tem acesso, especialmente quando os colaboradores desenvolvem a cultura de “emprestar” suas credenciais.
Neste contexto, a manutenção desses hábitos coloca em risco toda a estrutura de cibersegurança construída pela organização. Quando um agente de IA passa a acessar dados corporativos sem uma estratégia de governança definida e sem alinhamento entre as áreas envolvidas, surge uma camada de risco que nem sempre foi considerada nos modelos tradicionais de segurança. Em cenários nos quais a empresa sequer consegue mapear quantas pessoas interagem com a ferramenta, a exposição torna-se ainda maior.
Repetindo a história com as redes sociais
Embora esses comportamentos representem riscos, eles são comuns em momentos de adaptação a novas tecnologias. Assim como aconteceu com as redes sociais, o contato com as ferramentas de IA está acontecendo, majoritariamente, de forma orgânica, com os usuários explorando e descobrindo na prática como se relacionar com eles.
Apesar da interação espontânea não ser necessariamente ruim, no contexto coorporativo é necessário que a governança das empresas atue como mediadora entre os colaboradores e as inteligências artificiais, prezando por minimizar riscos e ampliar a capacidade de investimentos. Assim, a interação organizada com a IA permite coletar melhores informações sobre os limites da ferramenta para aquele determinado contexto, gerando melhores estudos sobre o retorno de investimento e quais melhorias podem ser feitas.
À medida que as ferramentas de IA se consolidam no ambiente corporativo brasileiro, elas podem ser vistas tanto como uma nova fonte de riscos para especialistas em tecnologia quanto um novo passo rumo à inovação. Em ambos os casos, o caminho para alcançar os objetivos está na boa governança desde a concepção da ideia.









