Segundo dia de atividades marca a transição entre o Fórum Nacional da SUCESU e o início do Congresso SUCESU 25
Salvador, 05 de Junho de 2025 – O segundo dia do Fórum Nacional da SUCESU consolidou a retomada de um dos eventos mais tradicionais do setor de tecnologia do Brasil. Em Salvador, o dia foi marcado por uma programação intensa e pela transição oficial para o início do Congresso SUCESU Bahia. Ao longo da manhã, especialistas, executivos e patrocinadores compartilharam visões sobre inovação, segurança digital e inteligência artificial, com foco prático e provocações estratégicas.
Na primeira apresentação, Fábio Freitas, vice-presidente de ICT e Inovação Digital da Stellantis para a América do Sul, compartilhou a jornada do grupo industrial na aplicação de IA em escala. Com mais de 30 mil colaboradores e seis plantas industriais na América Latina, a empresa aposta em uma estratégia centrada em letramento digital, criação de ecossistemas de IA e uso de agentes inteligentes internos. “Hoje, com o uso de IA, conseguimos gerar assertividade de até 97% em processos de engenharia que antes levavam meses”, explicou Freitas. Ele destacou o programa Stellantis AI e a criação de um ambiente interno chamado Playground Generativo, onde colaboradores podem testar aplicações com segurança. “A tecnologia só faz sentido quando gera valor para o negócio. Isso precisa vir junto com cultura, curadoria e aprendizado contínuo”, destacou.
Na sequência, a mesa redonda “Ransomware: o novo desafio corporativo” colocou em pauta os riscos crescentes de ataques cibernéticos e as alternativas para prevenção e recuperação de dados. Bruno Ribeiro e Fabrício Gomes, do Grupo HD Doctor Brasil, relataram experiências reais de empresas que conseguiram reverter cenários de sequestro digital. “A gente atua nessa área desde o ataque global do WannaCry. Aprendemos a fazer engenharia reversa com base em 20 anos de experiência em recuperação de dados”, contou Ribeiro. Gomes alertou para a importância da reação rápida: “Os hackers não agem de imediato. Muitas vezes eles observam o ambiente por dias até criptografar os arquivos mais valiosos”. Um dos casos relatados envolveu uma empresa da área de logística que recuperou 12 bancos de dados em menos de 48 horas, sem necessidade de pagar resgate.
Ainda na parte da manhã, Luiz Karlos Barbosa, Diretor de Vendas Nacional da Fortinet, provocou a audiência sobre os limites da atuação humana na segurança digital. “Imagine um analista de segurança sozinho às duas da manhã diante de mil alertas simultâneos. A IA pode ser o co-piloto que reduz a pressão e melhora a tomada de decisão”. Ele ressaltou o uso de IA generativa e machine learning para automatizar respostas e relatórios em tempo real. “No Brasil, temos um déficit de mais de 700 mil profissionais de cibersegurança. Não há como fechar essa conta sem tecnologia”, afirmou.
O encerramento do Fórum ficou a cargo de Jonatha Emerick, fundador da Datarisk e primeiro presidente da Associação Brasileira de Inteligência Artificial. Em tom enérgico, ele apresentou quatro casos concretos de colaboração eficaz entre homem e máquina, com destaque para soluções preditivas aplicadas à saúde, à detecção de fraudes e à eficiência operacional. “A melhor combinação é homem e máquina quando cada um faz o que sabe melhor”, afirmou. Um dos exemplos mais marcantes foi o uso de IA para rastrear doenças raras a partir de bases públicas, envolvendo equipes técnicas, médicos e cientistas de dados. “A IA não substitui o humano. Mas ela pode acelerar descobertas e ampliar nossa capacidade de análise”, concluiu.
No início da tarde, teve início o Congresso Sucesu Bahia, com plenária lotada e abertura conduzida por Yuri Araujo, presidente da entidade na Bahia. Em seu discurso, ele destacou o crescimento do evento, que saltou de 870 para mais de 1.500 inscritos em um ano. “O evento cresceu, e com ele, o nosso desafio. Mas o resultado está aqui: uma feira belíssima, uma plenária cheia e uma programação provocadora. Saímos da zona de conforto para entregar algo maior”, declarou.
Na abertura, o presidente da Sucesu Nacional, Harlen Duque, lembrou os 60 anos da entidade e a importância de reunir os principais líderes de TI do país na Bahia. “Depois de 20 anos, estamos aqui com um Fórum e um Congresso de impacto. A Sucesu está viva, conectando ideias e antecipando o futuro”, disse.
A primeira palestra da tarde foi conduzida por Silvio Meira, cientista-chefe da TDS Company e uma das maiores referências em inovação no Brasil. Em um keynote provocador, Meira destacou a necessidade urgente de reinvenção das organizações frente ao avanço da inteligência artificial, apontando que mais de 80% das empresas brasileiras ainda não sabem o que fazer com IA. Ele apresentou os quatro níveis de maturidade em IA, do uso básico até a autonomia estratégica, e alertou que até 2030, organizações que não dominarem pelo menos os três primeiros estarão fora do jogo. “Inteligência artificial não é sobre tecnologia. É sobre modelos de negócio, sobre cultura, sobre estratégia organizacional”, afirmou. O especialista ainda defendeu a adoção de modelos de plataforma como vetor de inovação e crescimento sustentável. “Não existe mais empresa fora de plataforma. Se ela não for a plataforma, será apenas um nó dela”, provocou.
Em seguida, o painel promovido pela tecnoAtiva, da CEO Andrea Campelo, com a Santa Casa da Bahia, abordou o uso de tecnologias de gestão de acessos privilegiados (PAM) e a adoção da estratégia Zero Trust em ambientes hospitalares. Tatyana Souza, coordenadora de TI da Santa Casa, e Diego França, Especialista em Segurança da Informação da instituição, apresentaram os impactos da implantação de sistemas de controle de credenciais, com redução de 89% em exposições de acesso indevido e ganho significativo em tempo de resposta a incidentes.
A programação seguiu com a Xsite, que apresentou o Bride, um ecossistema de segurança digital que integra IA generativa, automação e resposta a incidentes em tempo real. “Estamos criando um SOC onde a IA assume tarefas de análise, mitigação e resposta, permitindo que nossos analistas atuem em níveis mais estratégicos”, explicou João Gualberto, CEO da Xsite.
A Unitech e a Dell apresentaram cases e orientações práticas para a jornada de adoção da IA generativa nas empresas, destacando os estágios desde o uso de modelos pré-treinados até a criação de ambientes dedicados com cientistas de dados. “É preciso responder a quatro perguntas: meus dados estão prontos? Tenho infraestrutura? Onde vou processar? E qual é a estratégia?”, resumiu Marcelo Oliveira, Arquiteto de soluções na Unitech.
A Netra Tecnologia, ao lado da BMC e do SAS, destacou os ganhos operacionais e ambientais com a adoção de automação de processos, análise preditiva e uso ético de IA em serviços públicos. A empresa apresentou soluções já adotadas em áreas como habitação, educação e arrecadação, com ganhos expressivos em tempo de resposta e redução de custos operacionais. “Quando falamos de inovação no setor público, estamos falando também de impacto social direto”, ressaltou Amanda Correia, CEO da Netra.
Na sequência, a Locainfo apresentou em parceria com a Epson e a NDD a tecnologia de impressão a frio, com ênfase em ganhos de eficiência energética, redução de resíduos e sustentabilidade. Iuri Rebouças, diretor comercial da Locainfo, destacou: “A aceitação tem sido incrível. Já recebemos pedidos para POCs e propostas concretas de clientes que conheciam a solução pela internet e vieram ao evento para nos encontrar”, celebrou.
A Clear IT e a Dynatrace por sua vez, trouxeram reflexões sobre o uso de IA na detecção de anomalias, no suporte à tomada de decisão e na governança dos dados. Jimerson Soares, Gerente regional de vendas da Clear IT, alertou para a importância de combinar estratégia, governança, cultura e tecnologia para evitar armadilhas no uso da IA. “Todo mundo quer usar IA, mas poucos estão prontos para governar essa jornada com responsabilidade”, concluiu.
A Prodeb, finalizou as apresentações dando destaque a plataforma BA.GOV.BR, que atingiu a marca de 6 milhões de usuários e mais de 36 milhões de atendimentos digitais. A empresa apresentou números, marcos históricos e novos serviços integrados à plataforma, incluindo inteligência artificial para buscas e atendimentos automatizados. “A melhor plataforma de governo digital do Brasil, segundo a Abep, é nossa”, afirmou Rogerio Tronco Vassoler, coordenador da plataforma de serviços digitais na Prodeb.
O dia terminou com corredores movimentados na área de exposição, onde patrocinadores demonstraram soluções e receberam interessados em parcerias e provas de conceito. O público também aproveitou o happy hour promovido pela organização para networking e troca de experiências. A sensação geral era de entusiasmo com os rumos da tecnologia e de expectativa para os painéis do dia seguinte, que prometem aprofundar os debates sobre transformação digital e inteligência artificial aplicada ao setor público e privado.






