Modernização de aplicações legadas é caminho para acelerar o digital no setor público
Por Rodrigo Silva, Sales Account Manager para a região Nordeste da Red Hat Brasil
Salvador, 26/10/2020 – O número de brasileiros conectados à internet vem crescendo ano após ano. Em 2019, segundo levantamento anual do Centro Regional para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), quase 127 milhões de pessoas – o equivalente a 70% da população – tinham acesso à rede. A mesma pesquisa mostrou que, até então, 48% dos usuários já havia adquirido ou utilizado algum tipo de serviço online.
Em meio ao cenário atípico, o acesso a serviços públicos pela internet cresceu consideravelmente. De acordo com o Painel TIC Covid-19, também divulgado pela Cetic, 72% das pessoas conectadas buscaram informações ou usaram serviços públicos online. A alta impulsionou ainda mais a estratégia do governo brasileiro de digitalizar seus serviços, com foco na criação de um governo centrado no cidadão. Atualmente, 60% dos 3,7 mil serviços governamentais são disponibilizados de maneira online. Uma transformação digital, no entanto, precisa ir além da digitalização dos processos, com o suporte de plataformas orientadas ao cidadão, e não ao sistema, de acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Desafios para acelerar o digital no setor
O desafio constante de continuar a oferecer serviços públicos em uma experiência melhor – e agora mais digital -, passou a ser a pauta de muitos órgãos públicos. Entre os incontáveis desafios que precisam ser enfrentados, por outro lado, se encontra a modernização de aplicações monolíticas para as chamadas nativas de nuvem (ou cloud native) ou que permitam que legados possam ser integrados de maneira a expor dados para serviços que demandam aplicações mais robustas, o que passou a ser um imperativo.
Para ajudar nessa jornada, o Gartner apontou cinco abordagens de modernização: rehost, refactor, revise, rebuild e replace. Independente do caminho adotado, é preciso estar atento a alguns pontos que podem inviabilizar a estratégia, como custos associados, falta de preparo do time que dará suporte ao projeto ou ausência de uma plataforma tecnológica que ofereça a confiabilidade necessária.
Investir esforços em analisar a melhor opção para atender o propósito da instituição é fundamental: poupa esforços e recursos, além de proporcionar diretrizes para uma melhor adoção da nuvem. Uma abordagem comum é fazer primeiramente o rehost (hospedar) em uma estratégia conhecida, como lift and shift, e com isso obter vários benefícios para a área de Operações. Entre eles estão a diminuição da complexidade nas atualizações e também do tempo de inatividade (downtime), permitindo avaliar quais funcionalidades podem ser desacopladas e desenvolvidas utilizando uma stack mais moderna.
Junto com o avanço da estratégia de quais aplicações modernizar, o que pode ser reescrito ou quais serão atualizadas, é preciso considerar a integração. Conforme novas aplicações são lançadas, elas precisam se conectar com um cenário em constante evolução e, muitas vezes, híbrido. O uso de um barramento que forneça as facilidades nessa interoperabilidade e de um gateway de APIs para a governança e segurança passa a ser mandatório.
Seja qual for a abordagem utilizada para a modernização do monolito ou legado, a adoção de containers e de uma plataforma que ofereça todos os recursos para promover sua orquestração é essencial. O Gartner prevê que, até 2022, 75% das aplicações das organizações globais estarão rodando containers em produção.
Outro ponto importante na questão da modernização é envolver a adoção de uma abordagem DevOps, o que torna a aplicação à prova de futuro e fornece a agilidade necessária para que o órgão responda rapidamente às demandas de evolução dos serviços para as pessoas.
Modernizar o legado em aplicações mais preparadas para o digital no setor público não é tarefa fácil. Mas a escolha das ferramentas corretas, bem como de parceiros capazes, pode ajudar a planejar e executar esta jornada com sucesso, habilitando um governo orientado ao cidadão.









