Cidades inteligentes não são uma utopia

Por Sergio Nunes, Vice-Presidente Sênior da divisão de Segurança, Infraestrutura e Tecnologias Geoespaciais da Hexagon na América Latina

Salvador, 23/11/2021 – De acordo com as Nações Unidas, duas a cada três pessoas viverão em áreas urbanas até 2050, uma tendência que vem impulsionando os investimentos em iniciativas relacionadas a cidades inteligentes.

Conforme pesquisas do International Data Corporation (ICD), esses investimentos alcançaram US$ 124 bilhões em 2020, e espera-se que cheguem a US$ 203 bilhões até 2024.

Diante da demanda crescente e urgente da população por serviços públicos cada vez mais ágeis e eficientes, e as constantes mudanças na tecnologia, as soluções para cidades inteligentes de hoje devem ser capazes de se adaptar de forma rápida e econômica para não apenas resolverem os problemas atuais como também para atenderem às necessidades das gerações futuras.

Resolvendo problemas de maneira inteligente

O Smart Cities Council afirma que uma cidade inteligente “utiliza a tecnologia da informação e comunicação (ICT, sigla em inglês) para melhorar a sua habitabilidade, viabilidade e sustentabilidade”, coletando, analisando e comunicando dados para aprimorar as tomadas de decisão. Nesse sentido, a tecnologia não se traduz como uma garantia para o fim de um problema, mas sim como um meio para conhecê-lo e solucioná-lo de maneira inteligente.

Embora apresentem características distintas, as cidades possuem muitos objetivos em comum. Melhorar o desempenho de órgãos de segurança urbana, aumentar a agilidade dos serviços de atendimento a emergências, otimizar o tráfego e as condições de mobilidade, ou mesmo oferecer serviços de abastecimento, saneamento, iluminação e coleta de lixo mais eficazes são alguns deles.

Porém, diante de tantas prioridades, a escolha de uma tecnologia que atenda a diferentes necessidades pode parecer uma tarefa árdua e complexa, afinal, cada órgão de uma cidade possui seus próprios requisitos e particularidades.

A resposta está na integração

Pensar na cidade de maneira integrada pode facilitar a busca por novas tecnologias. Na maioria das cidades, por exemplo, os órgãos operacionais geralmente monitoram as demandas da população de maneira isolada, cada qual com os seus múltiplos sistemas, o que acaba reduzindo a sua eficiência e a sua agilidade de resposta diante de emergências e situações de crise. No entanto, órgãos como SAMUs, departamentos de Trânsito, Defesa Civil e Guarda Municipal possuem operações e necessidades similares: eles recebem solicitações por meio de centrais telefônicas, despacham equipes de campo, registram e analisam informações, consomem os mesmos tipos de dados, dependem de recursos de mobilidade e possuem diversos fluxos e procedimentos, assim como órgãos estaduais como a polícia militar e o Corpo de Bombeiros.

Nesse contexto, adotar um mesmo sistema de gestão que seja capaz de coletar, processar e analisar dados em tempo real, e de integrar sistemas, sensores e câmeras, pode atender as necessidades de vários órgãos simultaneamente. O acesso e o compartilhamento de dados de múltiplas fontes, e a visão operacional integrada, proporcionam inteligência e consciência situacional, os quais melhoram a comunicação e a coordenação intra e interorganizacional, possibilitando respostas mais rápidas e eficientes de serviços públicos vitais.

As centrais de operações integradas são um exemplo de sucesso de como a integração pode proporcionar inteligência às organizações de uma cidade ou estado. Trata-se de um modelo consolidado no mundo todo, no qual diversas organizações participam de um mesmo ecossistema. No Brasil, por exemplo, municípios como Osasco e Manaus e estados como Amapá, Ceará, Pernambuco, Maranhão, Sergipe, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul já integram operações de diversas organizações com as tecnologias fornecidas pela Hexagon, multinacional sueca de tecnologia, líder global em sensores, software e tecnologias autônomas presente em mais de 50 países.

Contudo, os benefícios da integração vão além dos serviços de segurança pública. A integração entre diferentes organizações públicas, privadas, ONGs e cidadãos de uma cidade também promove a colaboração, elimina barreiras de comunicação, automatiza fluxos e simplifica processos. Fornecer um meio seguro e eficaz de acesso e compartilhamento de dados a todas as partes interessadas em uma cidade, pode tornar os serviços públicos mais ágeis e eficientes.

Por exemplo, dentro de um mesmo sistema integrado, secretarias de Educação podem compartilhar dados sobre o fluxo da entrada e saída de alunos de escolas da rede pública de ensino com a Guarda Municipal para apoiar o planejamento das rondas. Por outro lado, departamentos de Trânsito podem compartilhar imagens das câmeras nas vias da cidade para otimizar operações dos Serviços de Atendimento Móvel de Urgência e Emergência (SAMUs), da mesma forma que os SAMUs podem disponibilizar dados sobre ocorrências nas vias urbanas com departamentos de Trânsito para que estes possam estudar melhorias na sinalização e nas vias de determinada região. Empresas de distribuição de energia podem prever interrupções no serviço e comunicá-las de maneira antecipada à população por meio de aplicativos.

As possibilidades para o desenvolvimento de cidades inteligentes são muitas e os benefícios são infinitos. Ao empregar dados e tecnologia para solucionar problemas de maneira inteligente, as cidades garantem um melhor uso dos seus recursos, fornecem melhores serviços à comunidade e constroem bases para um futuro mais sustentável.

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