2º dia do Congresso SUCESU 2026 reúne cibersegurança, transformação digital e jovens premiados internacionalmente em uma programação que colocou o ser humano no centro
Salvador, 03 de junho de 2026 – Se o primeiro dia do Congresso SUCESU 2026 estabeleceu o tom, o segundo o aprofundou. Às 8h o foyer do Hotel Deville Prime já recebia participantes para credenciamento e visitação à feira, e às 9h o vice-presidente da Sucesu-BA, Ricardo Fontoura, abriu oficialmente a última jornada do evento. O que se seguiu foi uma programação que percorreu, ao longo de quase dez horas, praticamente todos os temas que movem o ecossistema de TI baiano hoje, a segurança do Estado no ambiente digital, a convergência de infraestrutura, o impacto das tecnologias exponenciais na sociedade e no trabalho, e o papel que os jovens vão desempenhar em tudo isso.
VEJA COMO FOI O SEGUNDO DIA DO EVENTO.
O bloco da manhã foi dominado pela cibersegurança, e o fio condutor que atravessou as apresentações foi o mesmo, mostrando que o perímetro de proteção que o setor conheceu durante décadas está ultrapassado. A Segura, patrocinadora prata, abriu o debate com Dyego Borges colocando o dedo na ferida mais exposta do Estado digital. Se os serviços públicos migraram para o ambiente online, os ataques também migraram junto, e a fronteira mais vulnerável hoje não é técnica. “A pergunta não é se houve invasão. É se aquele acesso deveria estar acontecendo naquele horário, naquele local, com aquele comportamento. Essa é a diferença entre autenticar e controlar o acesso”, disse Borges, sinalizando que credenciais mal gerenciadas são o vetor mais explorado pelos atacantes modernos.
O Grupo NTSEC e a Check Point Software, patrocinadores diamante, entraram na sequência para dimensionar o problema com números. Emyr Frota (foto) e Ricardo Bacelar apresentaram dados que mostraram a velocidade com que o cenário mudou, o tempo médio que um atacante leva para se mover lateralmente dentro de um ambiente comprometido caiu de 48 minutos em 2019 para 27 segundos em 2025. 42% das vulnerabilidades exploradas no último ano eram de dia zero, e 60% das equipes de segurança ainda ignoram alertas críticos por excesso de notificações. “Hoje a porta de entrada mais comum não é uma vulnerabilidade técnica. É uma credencial válida. O adversário não invade, ele faz login”, sintetizou a apresentação.
A Quitério Telecom, patrocinadora prata, trouxe um argumento que fugiu do óbvio. Ricardo Quitério (foto) subiu ao palco não apenas para falar de telefonia ou de contact center, mas para mostrar que os dois mundos, quando integrados, entregam algo que não seria possível com eles separados. A lógica é simples mas pouco praticada, uma infraestrutura de rede robusta é a base silenciosa que sustenta qualquer sistema de atendimento crítico. “Se eu tiver um problema na rede e precisar migrar de um ponto para outro, com a solução certa simplesmente levo o telefone, conecto e já está funcionando. Não trava a rede, não deixo loop. Um complementa a solução do outro e o cliente fica tranquilo no funcionamento de tudo”, explicou Quitério. Logo depois, a XLOGIC celebrou no palco duas décadas de atuação em cibersegurança. Vicente Vale, CEO da empresa, foi direto: “A gente pensa muito com o conceito de proteção, mas o que a gente precisa agora é de percepção. Não consigo mais construir um muro suficientemente alto. O necessário é reduzir o tempo para detectar que ele já foi ultrapassado”, afirmou.
A Epson, patrocinadora prata, apresentou com Alex Bernardes sua linha de impressão sem toner como alternativa concreta para organizações que querem reduzir resíduos plásticos e eletrônicos, conectando o tema ao eixo de green skills do congresso. A Telcabos, também patrocinadora prata, trouxe Jossango Garrido e Ricardo Guimarães para mostrar como o Ponlan se posiciona como aliado dos CIOs em 2026, com foco em infraestrutura e conectividade como pilares estratégicos. A manhã chegou ao seu pico com a apresentação da CrowdStrike e da XSITE, patrocinadores diamante, que uniu história baiana e inteligência de ameaças de forma inusitada. Geilson Costa e João Gualberto usaram as Batalhas de Pirajá e Itaparica como metáforas para o confronto cibernético atual, argumentando que conhecer o adversário com antecedência, seus padrões, suas ferramentas e seus objetivos, é o que define quem sai vitorioso. Thiago Awad e Fernando Lira fecharam o bloco antes do almoço com a palestra “ESG e Green Skills: o novo repertório estratégico do líder de tecnologia”, reforçando que a pauta ambiental e social deixou de ser periférica e passou a integrar as competências esperadas de qualquer profissional de TI.
A Viewtinet, patrocinadora diamante, apresentou com Anderson Rey como a unificação de dados de infraestrutura em uma plataforma única permite que organizações com ambientes complexos respondam a incidentes com muito mais velocidade, eliminando os silos de dados que forçam equipes a passar horas investigando problemas que uma visão integrada resolveria em minutos.
Jovens talentos: a Bahia que constrói o futuro agora
Para a nova diretoria da Sucesu-BA, a presença de jovens estudantes da rede pública no palco do maior evento de TI do estado não é um gesto simbólico, é uma declaração de intenção sobre o papel que a entidade quer ocupar na sociedade baiana. O primeiro momento aconteceu ainda pela manhã, com o “Pitch com Jovens Talentos da Nossa Bahia”. Guilherme Oliveira e Yasmin Andrade apresentaram um barco autônomo para monitoramento ambiental de praias e rios, capaz de catalogar espécies aquáticas, medir a qualidade da água e coletar resíduos flutuantes. A motivação parte de uma realidade concreta: comunidades ribeirinhas e costeiras que dependem da água para sobreviver convivem com índices alarmantes de contaminação que raramente entram na pauta das políticas públicas. “Não queremos só analisar. Queremos dar dignidade a comunidades que muitas vezes continuam invisíveis”, sintetizou a apresentação. Noemi Pereira e Richard Alan Conceição, do Centro Estadual de Educação Profissional de Candeias, trouxeram uma solução para a gestão da alimentação escolar, usando tecnologia para atacar um problema silencioso nas escolas públicas: não a falta de comida, mas as perdas na distribuição que deixam alunos sem comer.
À tarde, o painel “Jovens Talentos da Nossa Bahia e Reconhecimento” elevou ainda mais o tom. Quatro jovens baianos premiados na Brazil Conference, realizada em Harvard e no MIT, subiram ao palco para apresentar projetos que já ganharam o mundo. Amanda Lins, apresentou o “Auxílio da IA na remobilização de populações vulneráveis de zonas costeiras”, único projeto baiano selecionado na categoria AI4Good, voltada para soluções alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. O projeto usa inteligência artificial para mapear zonas de risco, cruzar dados geológicos e geográficos e antecipar deslizamentos e o avanço do nível do oceano, algo que Amanda viu acontecer todos os anos em Salvador durante as chuvas. “Comecei a ver o potencial da tecnologia e da ciência para avançar minha vida, mas também para ajudar minha comunidade”, disse.
Péricles Oliveira, Luã Mota e Adriele Ornellas apresentaram a YÁ, assistente virtual desenvolvida para impulsionar o desenvolvimento social da população mais vulnerável. A ferramenta permite o registro de gastos por texto, áudio, foto ou vídeo, sem exigir aplicativo nem familiaridade com termos financeiros, chegando onde o usuário já está. A origem do projeto é pessoal. “Salvador é a capital com maior número de mães solo. A sensibilidade para a iniciativa é influenciada pela minha vivência próxima a essas mulheres”, afirmou Péricles. A decisão de não criar um aplicativo foi consciente e nasceu de pesquisa de campo. “A gente preferiu escutar e entender o que as pessoas realmente precisavam. Para essa mãe o caminho não podia ser um aplicativo, tinha que ser simples, pelo canal que ela já usa”, completou. A homenagem aos quatro jovens ao vivo no palco foi um dos momentos mais emotivos do congresso. Tatyana Souza, diretora de conteúdo da Sucesu-BA, encerrou o painel com a frase que resumiu o espírito dos dois dias: “Se o futuro é agora, então ele começa a ser construído na escola, com coragem, propósito e humanidade”.
O futuro é agora: humano, digital e irreversível
Em seguida, Igor Takenami, presidente da Sucesu-BA, tomou o palco para a palestra que deu nome ao tema do congresso, “O futuro é agora: humano, digital e irreversível”, entregando uma aula densa sobre transformação digital, tecnologias exponenciais e soberania digital. Percorreu as cinco grandes plataformas tecnológicas que estão redefinindo o século, da inteligência artificial generativa à robótica humanóide, à biotecnologia, ao blockchain e ao desafio do armazenamento de energia, argumentando que é a combinação entre essas tecnologias que vai gerar as maiores rupturas. Citou a Estônia como exemplo de que transformação digital começa pela cultura, não pela infraestrutura. “A transformação digital não é sobre tecnologia. É sobre pessoas. A adaptação deixou de ser uma escolha e se tornou uma questão de sobrevivência”, afirmou. O alerta sobre soberania digital completou o raciocínio, num mundo onde infraestrutura digital é infraestrutura crítica, depender de plataformas e algoritmos estrangeiros é uma vulnerabilidade estratégica que nenhum país pode ignorar.
A palestra de encerramento ficou a cargo de Izabella Camargo, jornalista e uma das principais referências nacionais em saúde mental no trabalho. Com o tema “Produtividade Sustentável”, ela subiu ao palco depois de dois dias de imersão intensa em tecnologia para lembrar a plateia de algo que toda aquela conversa sobre futuro, inteligência artificial e transformação digital tinha deixado em segundo plano: o ser humano é quem precisa aguentar o ritmo. Em pouco mais de uma hora, Camargo desafiou o público a repensar a relação com o trabalho, com a performance e com os próprios limites. Falou sobre autossabotagem, sobre a armadilha de confundir produtividade com esgotamento, e sobre como crescer profissionalmente exige, antes de qualquer habilidade técnica, aprender a lidar com o desconforto e assumir protagonismo sobre o que está ao alcance de cada um. “Você vai crescer profissionalmente sem ciúme e sem medo. Mas para isso, precisa gerenciar a resposta natural ao estresse, que pode ser positivo ou negativo, dependendo do que você faz com ele”, afirmou. Foi uma escolha precisa da Sucesu para fechar o congresso. Depois de dois dias falando sobre o profissional do futuro, sobre tecnologias exponenciais e sobre o ritmo acelerado das transformações, coube a Izabella lembrar que nenhum futuro se constrói sem saúde para chegar lá. A plateia respondeu com uma das maiores salvas de palmas dos dois dias.
A Sucesu-BA encerrou o Congresso 2026 com sorteios, encerramento oficial com toda a equipe no palco e coquetel final com a feira aberta até às 19h. Para Renato Carneiro, presidente da Assespro-BA, entidade que reúne mais de 100 empresas de tecnologia no estado e que marcou presença nos dois dias do evento, o saldo foi claro: “A Sucesu sempre traz boas palestras e promove muito o nosso estado e a nossa capital no tema de tecnologia da informação”, destacou. A comunidade de TI da Bahia saiu do Hotel Deville Prime já de olho na próxima edição, que promete ainda mais surpresas e inovações.
O evento contou com a cobertura do site TI Bahia – conta[email protected] – 71 98105-5425





