Prometeu foi punido por inovar. E hoje?
Por Frederico Welington Silveira Soares, CEO da Exponencial Consultoria e Tecnologia da Informação
Inovar ou não inovar? Eis a questão.
Salvador, 09/06/2026 – Participando do GovTech Summit em Porto Alegra na semana passada, tive a oportunidade de assistir à palestra do meu amigo Dr. Rafael Fassio, Ph.D sobre inovação nas contratações públicas.
Uma imagem apresentada durante a palestra ficou marcada na minha cabeça: a figura de Prometeu, o deus da mitologia grega que foi punido por entregar o fogo à humanidade. Em outras palavras: foi punido por inovar.
A provocação é forte e extremamente atual.
Vivemos um momento em que muitos gestores públicos e privados sabem que precisam transformar processos, modernizar estruturas, utilizar IA, automatizar fluxos e tomar decisões mais inteligentes. Mas, ao mesmo tempo, convivem diariamente com o receio do questionamento, da exposição e, principalmente, da punição (em especial na administração pública por onde me dediquei por 23 anos).
Isso acaba gerando o famoso “apagão das canetas” ou a “paralisia decisória”.
E aqui existe um ponto importante: muitas vezes, o problema não está no excesso de punições reais, mas no medo que se construiu em torno delas. O receio de errar passa a ser maior do que a vontade de construir algo melhor.
Como Founders e membros do ecossistema de startups (empresas que precisam ter a inovação no seu DNA) temos uma responsabilidade enorme: ajudar instituições a inovarem com segurança, governança e responsabilidade.
Porque inovar não pode significar agir sem critério. Mas também não pode significar permanecer imóvel.
Felizmente, vejo que o cenário está mudando.
Hoje já existem mecanismos jurídicos, modelos de governança, sandboxes regulatórios, contratações públicas voltadas à inovação (CPSI), marcos legais e estruturas de controle muito mais maduras do que existiam há alguns anos. Além disso, cresce o número de líderes que estão “virando a chave” e entendendo que inovar deixou de ser diferencial e passou a ser questão de sobrevivência institucional.
E talvez esse seja o maior desafio da nossa geração:
Construir ambientes onde o medo não seja maior do que o propósito de transformar.
Porque toda inovação relevante gera desconforto no início. Toda mudança importante desafia modelos antigos. E todo avanço exige coragem.
O que não podemos aceitar é que existam bloqueios que não possam ser superados para inovar.
Se queremos instituições mais eficientes, serviços melhores e soluções capazes de impactar pessoas de verdade, precisamos criar uma cultura em que inovar com responsabilidade seja incentivado e não evitado.
Afinal, foi o “fogo” de Prometeu que permitiu à humanidade evoluir!





