A inteligência artificial como cultura corporativa, e não apenas ferramenta

Por Alysson Guimarães, fundador e CEO da LeverPro, empresa de tecnologia para planejamento e gestão financeira de organizações

Salvador, 16/06/2026 – Até pouco tempo atrás, um dos principais desafios para as organizações estava em incorporar definitivamente uma cultura digital a seus processos, práticas e cotidiano. Menos de meia década depois, é uma outra inovação que se impõe.

A essa cultura digital agregou-se um componente disruptivo e definitivo: o da inteligência artificial. Ela deixou de ser apenas uma tendência tecnológica para se tornar parte da cultura corporativa de empresas que buscam mais eficiência, agilidade e estratégia na tomada de decisões.

Ou seja, a inteligência artificial não se restringe a ferramentas.

A IA passa a fazer parte da rotina de trabalho e do funcionamento da empresa – de todo o conjunto da empresa, não só da área de TI. Funções administrativas, de gestão, de marketing, operacionais, o comercial, não importa: há soluções de inteligência artificial para todas essas atribuições.

A inteligência artificial como cultura corporativa significa compreender a existência dessa ampla gama de recursos e saber como melhor aproveitá-los, explorá-los e customizá-los. Torná-los aliados da organização e de seu time.

Compreender também que a inteligência artificial não significa um instrumento para substituir pessoas. Significa, sim, um caminho para realizar e agregar tarefas impossíveis de serem cumpridas por nós, humanos, com a mesma velocidade e precisão que a tecnologia.

A inteligência artificial se apresenta como aliada para procedimentos morosos, repetitivos, muitas vezes de baixa complexidade, mas que consomem um tempo danado das equipes. Nesse cenário, a intervenção humana se coloca como cada vez mais imprescindível, e não “dispensável”, como se costuma imaginar.

O olhar humano entra no prompt, o comando dado pela inteligência artificial, que precisa ser bem elaborado (ser inteligentemente elaborado) para se obter uma resposta satisfatória. O olhar humano está presente no momento de avaliar o output, ou seja, a produção da IA. Entra em cena o pensamento crítico do ser humano, inalcançável pela tecnologia.

Portanto, a IA e seus agentes atuam como mãos adicionais, executando tarefas básicas, meramente operacionais, libertando as pessoas para atividades de verdadeiro impacto e valor. Essa é a inteligência artificial como cultura corporativa.

Como construir essa mudança? Colocando a mão na massa. Oferecer aos setores e equipes da organização acesso a múltiplas ferramentas de IA, permitindo o teste constante de novos recursos.

Incentivar as equipes a desenvolver projetos com o uso da inteligência artificial é outra providência elementar. Isso é um fator decisivo, porque desmistifica a tecnologia e a torna inerente ao cotidiano da empresa. Na LeverPro, isso é palavra de ordem.

Estímulos podem ocorrer de diversas formas, inclusive com programas de bonificação para colaboradores que apresentem projetos de IA, projetos de grande impacto positivo no dia a dia de cada setor. Promover testes, colocar a equipe de tecnologia para acompanhar a implementação desses projetos e um compliance com políticas de privacidade e de segurança da informação são outros caminhos importantes.

Trata-se de um movimento que deve envolver todos, mas é fundamental que tenha atuação efetiva e protagonista das lideranças da organização. Afinal, é o exemplo dos líderes que forma e fortalece essa nova cultura de que estamos falando. Mais cedo ou mais tarde, a adesão a ela será necessária.

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