Deep techs tem ganhado relevância entre investidores, instituições e governos no mundo. Mas quando o Brasil terá seu unicórnio nesse segmento?

Salvador, 06/11/2024 – O CEO Plinio Targa, da brain4care, palestra sobre o tema no Deep Tech Summit 2024, que acontece em 12 e 13 de novembro, no Complexo Inova USP, em São Paulo. O convite realizado pelos organizadores do Deep Tech Summit indica que o mercado enxerga na brain4care potencial para alçar a posição de unicórnio. No entanto, a exemplo do que acontece em todo o segmento, há desafios, entre eles, o financiamento

Unicórnios brasileiros em deep tech? Esse é um dos temas de discussão do Deep Tech Summit 2024, que acontece em 12 e 13 de novembro, no Complexo Inova USP, em São Paulo. O CEO da brain4care, Plinio Targa, participa como palestrante convidado para falar sobre o tema. De acordo com os organizadores, o Deep Tech Summit é o principal festival de inovação com foco em Deep Techs. O evento reúne investidores, empreendedores, representantes da indústria, cientistas, pesquisadores e universidades, promovendo conexões, discussões e impulsionando o desenvolvimento do mercado.

Modelo inovador

A deep tech comandada por Targa é responsável pelo desenvolvimento de tecnologia médica pioneira com base na descoberta científica de que o crânio pulsa. A trajetória da brain4care foi reconhecida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), como “um modelo inovador de deep tech no Brasil, exemplificando o potencial de transformação que surge da união entre a ciência, a tecnologia, a inovação e o empreendedorismo”. A citação está na página 23 do livro A Finep e a neoindustrialização – Startups, deep techs e seus ecossistemas – Uma contribuição à 5a CNCTI, organizado por Celso Pansera e Fernando Peregrino.

“Acredito que a escolha da brain4care pelos organizadores do Deep Tech Summit 2024 para falar sobre o tópico unicórnios indica que o mercado enxerga nosso potencial para alcançar essa posição”, afirma Targa. No entanto, pondera o executivo, esse processo em uma deep tech se diferencia muito em relação ao que acontece com outras categorias de startups. Deep techs são startups de base científica, capazes de resolver problemas de alto impacto socioeconômico, como tratamentos de doenças ou mudanças climáticas. A brain4care, por exemplo, trilha o caminho rumo a criação de um novo sinal vital na medicina.

Com base na descoberta de que o crânio pulsa e que essas micro expansões podem ser captadas externamente, a brain4care criou uma solução que envolve um sensor e uma plataforma de inteligência artificial. O sensor ao ser posicionado na cabeça do paciente monitora de modo não invasivo o risco de hipertensão intracraniana, fornecendo parâmetros sobre a complacência e faixa da pressão intracraniana. Para entender o quanto isso é disruptivo e inovador, basta saber que antes da brain4care, as formas de coletar dados da pressão intracraniana eram todas invasivas e o padrão ouro uma cirurgia para inserir um cateter na caixa craniana.

A jornada

Portanto, comparada às startups de base tecnológica, por exemplo, a jornada das deep techs é mais prolongada. Elas precisam investir em pesquisa científica de longo prazo e, para isso, necessitam de aportes iniciais mais robustos e o retorno sobre o investimento é mais demorado. “As deep techs apresentam risco científico e tecnológico em adição ao risco de mercado, mas podem entregar um retorno acima da média ou proporcionar liderança de mercado para as empresas que investem”, sintetiza Targa.

Mesmo assim, um dos principais desafios é o financiamento, mas a discussão de uma nova política voltada a deep techs já está em curso, afirma Targa que, além do Deep Tech Summit 2024, participou a convite da Finep em julho passado da 5a Conferência Nacional de CT&I, do debate As startups brasileiras: financiamento e crescimento.

Sobre a brain4care

A brain4care é uma deep tech brasileira pioneira na monitorização não invasiva do risco de hipertensão intracraniana. Utilizando uma plataforma de inteligência artificial e um sensor na cabeça do paciente, a tecnologia fornece informações (via relatório) que auxiliam os médicos na tomada de decisão. Oferecida no modelo SaaS, a brain4care dispensa consumíveis.

A hipertensão intracraniana (HIC) é uma condição que dificulta o fluxo sanguíneo neurológico, prejudicando a nutrição cerebral, o que pode levar a lesões cerebrais e morte encefálica. A HIC pode se manifestar através de sintomas comuns, como dores de cabeça, náusea e vômito, e estar associada a patologias diversas, como cefaleias, edemas cerebrais, tumores e hidrocefalias. A tecnologia brain4care permite monitorar o risco de HIC de forma não invasiva, facilitando o diagnóstico e tratamento

Fundada em 2014 por Sérgio Mascarenhas e acelerada pela Singularity University, a brain4care tem aprovação da Anvisa no Brasil e da FDA nos EUA. Presente em mais de 76 clínicas e hospitais, a empresa conta com mais de 90 publicações científicas e escritórios em São Carlos, São Paulo e Atlanta.

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