Na era da hiperconectividade: como blindar suas finanças contra a nova onda de golpes digitais
O avanço da inteligência artificial e a onipresença de pagamentos instantâneos transformaram as fraudes financeiras em um desafio nacional
Salvador, 15/06/2026 – O cenário da segurança financeira no Brasil atravessa um momento crítico. Com a massificação de ferramentas de Inteligência Artificial e a consolidação do Pix como principal meio de pagamento, o cibercrime evoluiu de ataques massificados para operações altamente direcionadas. Dados recentes indicam que o Brasil permanece entre os países com maior incidência de fraudes financeiras digitais no mundo, com perdas que ultrapassam a marca dos bilhões de reais anuais em transações indevidas.
Diferente do passado, o crime atual raramente tenta “quebrar” a criptografia de um banco. O alvo agora é o comportamento do usuário. “Vivemos a era da engenharia social de precisão. O criminoso estuda o perfil da vítima em redes sociais, utiliza a voz clonada de um familiar via IA ou simula a interface exata de um aplicativo bancário para induzir um erro. A barreira técnica das instituições é alta, mas a manipulação psicológica continua sendo o atalho mais eficiente para os fraudadores”, comenta o coordenador do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Cézar Augusto Mezzalira.
Entre as modalidades que dominam as estatísticas das delegacias especializadas, o golpe do falso suporte técnico ganha destaque. Nele, o criminoso entra em contato simulando ser um funcionário do setor de segurança do banco, alegando uma fraude em curso na conta da vítima. Sob o pretexto de resolver o problema, o fraudador convence o cliente a realizar transferências ou liberar acessos remotos.
Esse cenário é agravado pelo uso de deepfakes, onde a tecnologia replica a voz ou imagem de parentes em chamadas de vídeo ou áudios de WhatsApp, fazendo vítimas que, sob pressão emocional, realizam transferências imediatas. Além disso, o phishing de alta fidelidade continua presente, com links enviados via mensageiros que direcionam o usuário a portais de pagamento falsos, mimetizando perfeitamente a identidade visual de grandes instituições.
Cézar pontua que a prevenção não exige apenas conhecimento técnico, mas uma mudança comportamental baseada na desconfiança sistêmica. “Para o público sênior, a recomendação é o rigor absoluto com o canal de comunicação. Como os idosos são frequentemente alvos pela prestatividade e rapidez de resposta, a regra de ouro é encerrar qualquer contato suspeito e buscar o canal oficial do banco por meio do cartão físico ou de um contato de confiança”, comenta o coordenador do curso de ADS da Afya de Pato Branco.
Já para o público jovem, o foco deve estar na higiene digital, visto que, embora sejam usuários intensos, frequentemente negligenciam a porta de entrada dos seus sistemas: o e-mail principal e o número de telefone. Para este grupo, a recomendação é migrar a autenticação de dois fatores do SMS para aplicativos dedicados e utilizar gerenciadores de senhas, que impedem a reutilização de credenciais em múltiplos sites.
Para mitigar riscos, órgãos de segurança cibernética consolidaram orientações básicas que devem ser seguidas por todos. “É fundamental nunca compartilhar códigos de verificação por telefone, já que bancos jamais solicitam tais dados dessa forma. Além disso, é importante configurar limites de transferências noturnas que condigam com a realidade, evitar acessar aplicativos bancários em redes Wi-Fi públicas — preferindo sempre a rede móvel 4G ou 5G — e manter as notificações de compras ativas”, acrescenta Cézar.
Por fim, a atenção com as atualizações de sistema operacional é crucial, pois elas corrigem falhas de segurança que podem ser exploradas por invasores. Em um ambiente digital volátil, a tecnologia de proteção é apenas uma das camadas de defesa; a segurança financeira depende, acima de tudo, de uma postura ativa e vigilante do usuário sobre seus próprios dados.





