Tarifaço dos EUA coloca setor de TIC brasileiro em xeque
Whitepaper do Observatório Softex propõe ações coordenadas entre governo, empresas e agências para enfrentar instabilidade global e transformar a neutralidade geopolítica do país em uma vantagem estratégica
Salvador, 15/08/2025 – A imposição de tarifas de até 50% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros de tecnologia, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, colocou o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) nacional em estado de alerta. Trata-se do maior desafio tarifário enfrentado pelo Brasil desde a década de 1940. Para analisar os impactos e sugerir caminhos de resposta, o Observatório Softex lançou o whitepaper “Impactos das Políticas Tributárias Norte-Americanas no Ecossistema Brasilieiro de TIC”, que combina análise geopolítica, modelos econométricos e benchmarks internacionais.
Impactos imediatos e riscos à competitividade
Segundo estimativas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), as tarifas podem provocar a perda de até 110 mil empregos no Brasil em um ano — sendo 26 mil apenas na indústria. Empresas exportadoras de tecnologia, especialmente as que dependem de insumos importados e têm baixa verticalização, podem ver seu número de postos de trabalho encolher entre 15% e 25% nos próximos 18 meses. Mesmo as empresas que não exportam diretamente sentirão o impacto, com o aumento do custo de componentes e insumos.
O setor de hardware é apontado como o mais vulnerável, por sua alta dependência de itens como sensores, placas e baterias. Já software e serviços, embora menos expostos a cadeias produtivas físicas, também serão afetados pela retração da demanda e dificuldades de repasse de custos. Estima-se que o custo médio dos insumos suba 14,5%, comprimindo a margem de lucro em até 6,3%. Um exemplo concreto: uma empresa que exporta US$ 10 milhões por ano pode ter um acréscimo tarifário de até US$ 5 milhões (cerca de R$ 27 milhões), inviabilizando seu modelo atual de negócios.
Oportunidades estratégicas em meio à crise
Apesar dos riscos, o estudo aponta que o novo cenário também pode gerar oportunidades. Concorrentes asiáticos, como a China, enfrentam tarifas ainda mais altas — chegando a 125% — no mercado norte-americano. Essa diferença pode posicionar o Brasil como uma alternativa mais viável, desde que os produtos nacionais mantenham uma vantagem de custo relativa. O documento defende que o país aproveite essa janela investindo em diferenciais como neutralidade geopolítica, capacitação da força de trabalho e oferta de produtos de maior valor agregado.
O whitepaper recomenda priorizar segmentos onde o Brasil já possui vantagens competitivas, como software personalizado, agtechs e fintechs. Também sugere maior protagonismo do governo federal em políticas para exportação de software e semicondutores, além de reforçar a diplomacia econômica. Nesse sentido, a diversificação de acordos internacionais, especialmente com a União Europeia, é vista como essencial frente às tensões com os Estados Unidos decorrentes da atuação brasileira em blocos como BRICS e Mercosul.
Para Rayanny Nunes, coordenadora de novos negócios da Softex, “o custo de não agir supera o investimento necessário”. Segundo ela, o Brasil pode transformar a atual neutralidade geopolítica em vantagem estratégica, mas isso exige agilidade, articulação institucional e visão de longo prazo. O documento do Observatório Softex defende que o país precisa se reposicionar nas cadeias globais de valor com ações articuladas entre governo, setor produtivo e instituições de fomento à inovação.
Para baixar gratuitamente a íntegra do whitepaper, acesse este link.
Sobre a Softex
Com sede em Brasília, a Softex atua há mais de 20 anos na concepção e na gestão de programas de impacto internacional e coordena o Sistema Softex, composto por 21 agentes regionais distribuídos por 13 estados brasileiros e no Distrito Federal. A entidade possui 22 ICTs credenciadas e 19 aceleradoras parceiras e beneficia cerca de 4 mil startups e mais de 6 mil empresas. A Softex trabalha em articulação com a iniciativa privada e com os governos nas esferas federal, estadual e municipal, centros acadêmicos e instituições de fomento. Nessas mais de duas décadas de atividades, se consolidou como a principal instituição brasileira capaz de conectar atores das três esferas – Governo, Academia e Setor Privado – para impulsionar o desenvolvimento do Brasil por meio da inovação e da Transformação Digital. Para evoluir ao longo de todos estes anos, a Softex se reinventa constantemente, um esforço que se traduz em uma série de conquistas envolvendo iniciativas de apoio, desenvolvimento, promoção e fomento. Em seu portfólio de execução estão, entre outros, os programas StartUp Brasil, Inova Maranhão, TechD, Brasil Mais TI, Conexão Startup Brasil, Brasil IT+ e MPS.BR.









