Inimigos na muralha
Por Francisco Camargo, Vice-Presidente do Conselho Deliberativo da ABES, CEO da CLM
Salvador, 24/06/2025 – A evolução da cibersegurança impede o caos.
Alguns marcos na evolução da cibersegurança
Pioneiros
O primeiro vírus de computador foi criado em 1971, sem interesse malicioso. Era uma espécie de prova de conceito. Chamado de Creeper, ele infectou computadores conectados à ARPANET (precursora da internet) e exibiu a mensagem “I’m the creeper, catch me if you can!”.
Em 1974, o vírus criado não era tão bonzinho. Quando entrava em um computador, o Rabbit (ou Wabbit) se duplicava, fazendo várias cópias do mesmo, reduzindo muito o desempenho do sistema e chegando a travar a máquina.
Não é preciso dizer que, de lá para cá, o que era conhecido como vírus, além de se tornar altamente prejudicial, ganhou contornos impensáveis, principalmente por motivação financeira. A lista é longa: warm, phishing, ransomware, cavalo de Tróia, infostealers etc.
Do outro lado, a defesa teve que se profissionalizar. Em 1987 foram lançados os primeiros antivírus comerciais: Anti4us e do Flushot Plus. Daí para frente, as evoluções, de lado a lado, não pararam mais, principalmente com a popularização do uso da internet.
No Brasil, os avanços mais significativos da cibersegurança foram dados no final da década de 1990. Distribuidores trouxeram para o país, em 1997, um dos primeiros firewalls do mundo da On Technology que mais tarde foi absorvido por Elron israelense.
Na época os fabricantes de firewalls tinham que desenvolver seu próprio SO (sistema operacional), o que planejava duas equipes de desenvolvimento, uma para o SO e outra para o firewall.
Nessa era, sim podemos dizer era, pois a evolução é exponencial, empresas pioneiras de distribuição trouxeram, além do Firewall da On Tecnology (Boston, Ma), o Auditrack da EG Software, mais tarde WebTrends (Portland, Oregon), o IPS da Intrusion Detection (New York, Ny) e o X-Ray um sniffer da Cinco Networks (Atlanta, Go).
Como se vê, o pessoal ainda não tinha se agrupado no Silicon Valley na Califórnia.
Linux
Tudo começa a mudar com Linus Torvald, em 1991, e a difusão do Linux (open source) que hoje é adotada por quase todos os fabricantes de software de cibersegurança.
Bufar
Outra mudança importante começa com Martin Roech em 1998 com a criação do open source SNORT, uma base de muitos IDS/IPS, que chegou ao Brasil em 2005.
Inteligência Artificial
Em 2017, foi uma vez da proteção de endpoint, criada em Israel em 2013 e totalmente baseada em Inteligência Artificial, chegar por aqui.
Como a Inteligência chegou para todo o mundo, nada mais natural que os cibercriminosos comecem a usar todo o seu potencial.
Hoje, a propagação do crime cibernético é devastadora e acontece por diversas motivações, além das financeiras, como o hacktivismo, a espionagem industrial e de governos, o roubo de conhecimento etc. A cibersegurança, então, evolui a passos largos para impedir que os ciberatacantes dominem redes e tudo o que há nelas.






