IA só vira estratégia quando há governança corporativa envolvida

Por Adriana Bombassaro, diretora de operações da FastBuilt, construtech especializada em gestão do pós-obra

Salvador, 14/07/2026 – À medida em que a adoção da inteligência artificial pelas empresas acelera (63% das MPEs dizem usar com frequência, segundo estudo do Sebrae com a FGV), cresce também um debate fundamental: como garantir que essa evolução aconteça de forma segura, responsável e alinhada aos objetivos do negócio?

A resposta passa necessariamente por governança.

Vivenciamos uma corrida pela implementação de IA nas operações que precisa ser vista não só com cautela, mas com estratégia. O objetivo dos negócios não deve ser adotar a tecnologia a qualquer custo, mas implementar soluções estratégicas, pensadas para a realidade e desafios da empresa e, principalmente, desenvolvida e alinhada com as melhores práticas de governança corporativa e segurança da informação.

Em muitos casos, a pressão por inovação e ganho de produtividade leva empresas a adotarem ferramentas sem uma avaliação aprofundada sobre estes aspectos. O resultado é um cenário que preocupa especialistas e lideranças corporativas.

Um estudo divulgado pela corretora global Howden, apontou, por exemplo, que a inteligência artificial generativa está acelerando em até 16 vezes a capacidade operacional de cibercriminosos, tornando ataques mais automatizados, escaláveis e sofisticados. Enquanto esse cenário acelera a velocidade de ataques, reduz o tempo de resposta porque as empresas não olharam para sua segurança no momento de implementar determinada IA.

Precisamos sempre ter em mente que a mesma tecnologia capaz de gerar eficiência e competitividade também pode ampliar vulnerabilidades quando utilizada sem critérios adequados de governança.

A discussão, porém, não deve ser sobre limitar a inovação, mas sim construir mecanismos que permitam escalar o uso da inteligência artificial com segurança, transparência e responsabilidade. É preciso buscar fornecedores com know how em tecnologia, com plataformas que englobam IA como estratégia e não apenas uma aplicação genérica. Ter este “colchão para cair” é fundamental, uma vez que soluções já consolidadas podem apresentar melhor infraestrutura de governança do que a utilização de uma IA isolada. Também é importante pensar na criação de estruturas multidisciplinares de decisão do uso de IA no ambiente de trabalho, com boas práticas claras sobre sua utilização. O monitoramento contínuo dos modelos e a manutenção da supervisão humana em processos estratégicos também é essencial. Em suma: a IA deve ser vista como é, uma ferramenta importante e estratégica, mas que deve ser adotada dentro de parâmetros de segurança, com visão analítica e operação humana integrada.

Na prática, isso significa compreender que a inteligência artificial faz parte da estratégia corporativa e, por isso, deve seguir os mesmos princípios de controle, conformidade e gestão de riscos que orientam outras decisões críticas do negócio.

Essa reflexão é especialmente relevante em setores que lidam com grandes volumes de dados, informações sensíveis ou processos que impactam diretamente a experiência do cliente, como é o caso do pós-obra na construção civil, ambiente em que operamos com nossa solução de gestão. Nesses contextos, a escolha do fornecedor torna-se tão importante quanto a tecnologia em si.

Ao avaliar uma solução de IA, as empresas precisam analisar a maturidade tecnológica do parceiro, suas práticas de segurança da informação, a forma como os dados são tratados, os mecanismos de auditoria disponíveis e sua experiência no segmento de atuação. Uma inteligência artificial desenvolvida sem conhecimento profundo das particularidades de determinado mercado pode até gerar ganhos pontuais de produtividade, mas dificilmente entregará valor estratégico de forma consistente.

A maturidade digital das organizações não será medida apenas pela velocidade com que adotam novas tecnologias, mas pela capacidade de fazê-lo de maneira sustentável e segura. Em um ambiente onde a inteligência artificial se torna cada vez mais autônoma, capaz de executar tarefas, interpretar informações e apoiar decisões, a confiança passa a ser um ativo tão importante quanto a inovação.

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