IA na medicina: ferramenta revolucionária ou risco para a segurança do paciente?

Por Rogério Pires, diretor de produtos para Saúde da TOTVS

Salvador, 02/04/2025 – A Inteligência Artificial está modificando o cenário da medicina, oferecendo oportunidades sem precedentes para avanços em diagnósticos, tratamentos e eficiência operacional. Paralelamente, essa revolução tecnológica também levanta preocupações sérias sobre a segurança do paciente e a confiabilidade das informações fornecidas por essas ferramentas.

Recentemente, muitos médicos começaram a utilizar chatbots de IA, como o ChatGPT, em decisões clínicas. Mesmo sem diretrizes claras ou regulamentações suficientes, uma pesquisa da KFF Health News revelou que 76% dos médicos usam essas ferramentas para verificar interações medicamentosas, suporte ao diagnóstico e planejamento de tratamento. A facilidade de acesso e a capacidade de processamento rápido de informações tornam esses chatbots especiais para profissionais que enfrentam cargas de trabalho intensas e a necessidade de atualização constante.

Mas os especialistas alertam para os riscos associados ao uso de sistemas não selecionados. Há dúvidas sobre a possibilidade de respostas incorretas, “alucinações” de IA e a falta de conformidade com as normas de privacidade de dados de saúde, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no Brasil. Conforme destacado no artigo da Fierce Healthcare, “esses modelos podem não saber que estão cometendo um erro e, também, não podem lhe dizer isso”, afirmou Graham Walker, MD, médico de emergência no Kaiser Permanente.

Paralelamente, o autodiagnóstico por IA tornou-se uma preocupação crescente entre os médicos brasileiros. De acordo com uma pesquisa do Medscape, 83% dos profissionais apontam que os pacientes correm riscos ao utilizarem Inteligência Artificial para autodiagnóstico. A facilidade de acesso a chatbots públicos e aplicativos de saúde alimentados por IA, podem levar os pacientes a interpretar erroneamente os sintomas e retardá-los na busca pelo atendimento médico adequado.

Essa situação complexa ressalta a necessidade de uma reflexão profunda sobre o papel da IA na saúde. A Inteligência Artificial sempre irá fornecer uma resposta, independentemente de sua veracidade. E, se ela errar, ainda assim, vai tentar nos convencer de que é certo, o que é particularmente perigoso. Isso reforça a importância do julgamento clínico e da necessidade dos profissionais que tenham conhecimento das limitações dessas tecnologias.

Diante desse cenário, é fundamental que a integração da IA na medicina seja feita de forma responsável e ética. Aqui, entra a importância de se contar com parceiros de tecnologia confiáveis que garantem a qualidade dos softwares e a segurança das informações dos pacientes. Já existem soluções tecnológicas robustas e seguras, alinhadas às necessidades do setor e em conformidade com as regulamentações vigentes.

Ao optar por parceiros tecnológicos sólidos, as instituições de saúde podem garantir que as ferramentas de IA sejam utilizadas como aliadas, potencializando a eficiência e a precisão nos cuidados com os pacientes. Assim, é possível aproveitar os benefícios da IA na medicina, garantindo que a tecnologia esteja a serviço do cuidado humano e da segurança do paciente.

Últimas notícias