Futuro exige visão: a tecnologia atual demanda estratégia para o sucesso a longo prazo

Por Silvio Eduardo Andrade, vice-presidente de transformação digital e IA Generativa na BRQ Digital Solutions

Salvador, 07/04/2025 – Não é segredo para ninguém que a transformação digital se tornou uma questão de sobrevivência dentro do mercado corporativo. Independentemente do setor ou do porte, as empresas hoje se veem diante de um cenário desafiador, onde o dinamismo e a competitividade, principalmente impulsionados pelos avanços tecnológicos mais recentes, reconfiguraram a maneira como os negócios operam. A digitalização, antes vista como uma forte tendência, passou a ser uma questão de urgência, colocando em xeque a própria capacidade de adaptação e inovação para se manter relevante em um mercado que se transforma a uma velocidade sem precedentes.

Atualmente, existem três grandes pilares que justificam essa conjuntura otimista: a Inteligência Artificial (IA) generativa, a computação em nuvem e a automação. Essas tecnologias estão transformando processos, modelos operacionais e a relação das empresas com os consumidores. A partir desses recursos, as companhias veem a necessidade de redefinir suas cadeias produtivas, modelos de negócios, além da própria relação com os consumidores.

A exigência pela reestruturação se justifica nos números. De acordo com o relatório “O ROI da IA Generativa”, do Google Cloud, 74% das empresas que utilizam essa tecnologia alcançaram retorno sobre o investimento já no primeiro ano de aplicação. Impulsionada pelo fortalecimento da IA, a computação em nuvem também cresce exponencialmente, com projeções apontando um aumento de US$ 60,35 bilhões em 2023 para US$ 397,81 bilhões até 2030, segundo estudo publicado pela McKinsey.

Embora o ritmo acelerado das inovações seja evidente para os tomadores de decisão empresariais, vemos que existem algumas ponderações que parecem ainda não ter reforçado a importância devida. Digo isso porque muitas organizações parecem ainda encarar e experimentar as recentes transformações tecnológicas com um olhar meramente operacional.

É fato que a automação é chave para o aprimoramento produtivo, a IA é essencial para agilizar tarefas e a nuvem para facilitar a gestão de dados. No entanto, por mais que essas aplicações já sejam valiosíssimas, é preciso ter em mente que representem apenas a superfície do verdadeiro potencial. A falha aqui é em uma percepção ainda imprecisa, muitas vezes limitada a somente ajustes incrementais, sem considerar seu impacto, sobretudo a longo prazo, em campos mais importantes, como o próprio modelo de negócios, a experiência do consumidor ou até mesmo o mercado como um todo.

Até porque, pare para pensar: se há dois anos a IA era uma tecnologia de nicho, hoje sua adoção já é quase obrigatória. Imagine então o que podemos esperar nos próximos dois anos?

O avanço exponencial atrelado a essa tecnologia sinalizando que não basta acompanhar as transformações tecnológicas, é preciso, pelo menos tentar, antecipar-las. Empresas que se contentam apenas em atuar de forma reativa nessas mudanças correm um sério risco de ficar para trás, enquanto aquelas que assumem uma postura proativa na busca do entendimento dos caminhos a serem seguidos tendem a largar com vantagem, mesmo possivelmente se tratando de uma corrida que nem tenha começado ainda.

O olhar estratégico para essas transformações exige que as empresas façam questionamentos mais profundos. Como a IA afetará os produtos e serviços que oferecemos? De que maneira a nuvem pode ampliar nossa capacidade de inovação? Como a automação pode liberar nossos profissionais para atividades mais estratégicas? O comportamento do consumidor está mudando diante dessas inovações? A resposta a essas questões não pode ser reativa ou limitada a curto prazo; ela deve estar integrada ao planejamento estratégico de longo prazo da empresa.

O fato é que estamos diante de uma revolução, mas muito provavelmente, apenas no começo dela. A velocidade com que novas possibilidades surgem torna essencial que as empresas já precisem estar atentas, ou pelo menos se questionem internamente, pelo que está por vir. Esperar não é mais uma opção. Empresas que não integram IA, nuvem e automação já correm o risco de ficarem obsoletas. O momento de incorporar IA, nuvem e automação à estratégia corporativa já chegou. Quem ainda vê essas inovações apenas como recursos de otimização de processos está perdendo a oportunidade de moldar o futuro desde já. A tecnologia, hoje, não é um suporte para os negócios; ela é o próprio negócio.

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