Do hype à realidade: agentes de IA como parte integrante da estratégia de negócios
Por Eduardo Mecking, Country Manager Brasil da Beyondsoft*
Salvador, 07/04/2025 – Os agentes de inteligência artificial (IA) estão atravessando uma fronteira crucial. Depois de anos de promessas e exageros, essas ferramentas finalmente chegaram ao ponto de não apenas cumprir, mas superar as expectativas iniciais. Contudo, para transformar o potencial em resultados tangíveis, as empresas precisam ir além da paixão superficial e tratá-los como peças estratégicas nas operações.
De acordo com a compreensão do Gartner, até 2028, pelo menos 15% das decisões cotidianas nas empresas serão tomadas pelos agentes de IA – tendência ainda tímida até o final de 2024. Este dado reforça o salto da adoção, mas também aponta para o desafio: como garantir que essa implementação seja segura e eficaz? Afinal, não se trata apenas de inserir a tecnologia, mas de reimaginar processos, entender o impacto na sociedade e alinhar os recursos aos objetivos dos negócios.
Os agentes de IA – incluindo chatbots, assistentes virtuais e plataformas de fluxos de trabalho – vão muito além da automação de tarefas repetitivas. Não basta economizar tempo ou reduzir custos. Essas ferramentas trazem uma capacidade incomparável de interpretar dados, identificar padrões e oferecer insights que, de outra forma, exigiriam anos de experiência humana ou recursos de análise robustos. São sistemas que analisam milhões de interações com clientes e preveem gargalos na cadeia de produtividade, propondo ajustes proativos.
No setor de saúde, por exemplo, agentes de IA podem auxiliar médicos a diagnosticar doenças mais rapidamente ao analisar históricos e padrões em exames. Já no varejo, ajuda a personalizar experiências de compra ao prever comportamentos de consumidores. Na produção, são capazes de otimizar operações logísticas, minimizando desperdícios e maximizando a eficiência.
Esses cenários mostram como a tecnologia não é apenas funcional, mas estratégica. Por isso, um erro comum é adotado sem um plano de integração robusto. Mesmo uma solução rápida depende de uma abordagem clara e mensurável. O que a empresa espera alcançar com a IA? Quais são as áreas que mais necessitam de intervenção? Em seguida, é preciso ajustar os agentes à realidade da marca, personalizando funções para atender às especificidades do setor.
A tecnologia, por si só, não garante sucesso. É necessário promover uma cultura que abrace a inovação, responsável por educar os colaboradores, desmistificar receitas e demonstrar exemplos concretos de resultados. Treinamentos, workshops e programas de capacitação contínua são essenciais, pois, quanto mais confiante e preparado o tempo tiver, maior será a adesão às novas ferramentas.
No Brasil, a adoção de IA ainda enfrenta desafios como a infraestrutura tecnológica limitada e a necessidade de qualificação da força de trabalho. Contudo, empresas que investem na capacitação de equipes e na modernização de processos têm uma vantagem significativa.
A aplicação desses agentes também levanta questões relacionadas à privacidade, ética e segurança. As empresas que desejam liderar essa área precisam garantir que os dados dos clientes e colaboradores sejam protegidos por sistemas robustos e que os mesmos se atuem com responsabilidade. A transparência é especialmente importante para construir confiança, seja explicando como os agentes tomam decisões, evitando vieses em análises ou garantindo que as soluções sejam mais acessíveis e inclusivas.
Quando usadas com propósito e planejamento, essas soluções transcendem o status de ferramentas e se tornam parcerias estratégicas de negócios, criando condições para inovações sustentáveis. O futuro pertence aos negócios que utilizam a tecnologia como esportiva de crescimento e transformação, redefinindo os limites do possível e liderando o caminho em um mercado em constante evolução.
*Engenheiro Eletrônico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com MBA em Gestão de Negócios e MBA em Finanças pela IBMEC, Eduardo Mecking atua na área de tecnologia há 25 anos. Fundou a 4MSTech, empresa especialista em infraestrutura e soluções de computação em nuvem que foi adquirida em 2023 pela Beyondsoft, empresa global de Tecnologia da Informação (TI) com mais de 30 mil funcionários. Ex-executivo de grandes corporações como Motorola e Microsoft, desde 2023, ocupa o cargo de Country Manager Brasil na Beyondsoft.









