Da regulação à estratégia, a soberania de dados ganha protagonismo

Por Alex McMullan CTO da Pure Storage

Salvador, 29/10/2025 – Desde que o armazenamento de dados passou a ocupar um papel estratégico nas organizações, tornou-se evidente que eficiência é muito mais do que resolver desafios imediatos – significa também preparar a infraestrutura para lidar com as incertezas que surgirão. Esse princípio se mostra especialmente relevante em um cenário em que os dados se tornam cada vez mais valiosos e mais disputados.

Com seu apetite ilimitado por informação, a IA está avançando sobre data centers e nuvens públicas. Mas, apesar de todo o entusiasmo, ela é apenas a mais recente de uma série de transformações (da ascensão das nuvens públicas às regulamentações sobre dados pessoais e às tensões geopolíticas) que reacenderam debates sobre como os dados são governados e por quem.

Os Estados Unidos e a China foram os principais arquitetos das nuvens públicas e dos modelos de IA globais, e grande parte do mundo observa agora o que virá a seguir nessa nova ordem digital. As regulamentações resultantes, somadas à incerteza geopolítica, transformaram a soberania de dados em um tema central nas esferas governamentais e corporativas. Em termos simples, soberania de dados é o princípio de que as informações estão sujeitas às leis e à governança do país onde são coletadas ou armazenadas.

A experiência em armazenamento e gerenciamento de dados em escala de exabytes oferece uma visão privilegiada sobre os desafios da soberania, e as tecnologias e soluções voltadas à agilidade e proteção em todo o patrimônio de dados trazem aprendizados valiosos sobre o caminho a seguir.

Altos Interesses e Altos Riscos
A pesquisa Data Sovereignty: A New Era mostra que a soberania de dados deixou de ser apenas uma questão de conformidade para se tornar um tema estratégico ligado à competitividade e à confiança.

De acordo com o estudo, 100% dos entrevistados afirmaram que preocupações com soberania de dados (incluindo possíveis interrupções de serviço) os levaram a reconsiderar onde suas informações estão localizadas. Além disso, 92% reconheceram que o cenário geopolítico atual aumenta os riscos de não tratar adequadamente o tema, e 78% declararam estar adotando estratégias que envolvem múltiplos provedores, data centers soberanos e requisitos de governança de dados incorporados a seus contratos comerciais.

Este levantamento reforça que a soberania de dados evoluiu para um pilar central de resiliência e agilidade nas organizações.

O desafio do equilíbrio
As preocupações e expectativas desses líderes revelam uma verdade e um dilema fundamentais: o comércio e a governança estão profundamente ligados a um ecossistema tecnológico interdependente. Estados e empresas precisarão se alinhar em modelos de soberania capazes de proteger cargas de trabalho sensíveis sem comprometer a conectividade e a colaboração global.

Os sistemas distribuídos não podem ficar sem gerenciamento, assim como nem todas as operações de dados podem ser isoladas em solo soberano. Esse equilíbrio exigirá atenção a dois pilares: a soberania física, que envolve investir ou firmar parcerias com provedores confiáveis para garantir infraestrutura dentro das fronteiras nacionais; e a soberania técnica, baseada em controle por meio de criptografia, governança e portabilidade, garantindo que estados e organizações, e não apenas fornecedores e hiperescaladores, determinem como os dados são administrados.

Estruturas Emergentes
O debate sobre soberania de dados evolui de forma distinta entre as principais regiões do mundo. Nos Estados Unidos e na China, o foco recai sobre domínio tecnológico e escala; na Europa, a discussão é moldada por regulamentações como a GDPR e o futuro Plano de Ação de IA, que ancoram investimentos bilionários em infraestrutura digital; já na Ásia-Pacífico, países como Cingapura, Japão, Nova Zelândia e Austrália adotam uma abordagem baseada em princípios e cooperação internacional, tratando a IA como uma “tecnologia sem passaporte”.

O princípio da flexibilidade
Nenhuma empresa detém uma solução única para os desafios da soberania de dados, mas a busca por flexibilidade e eficiência aponta o caminho. Modelos que combinam visibilidade, controle e automação em grandes volumes de informação estão permitindo que organizações construam nuvens próprias, seguras e interoperáveis, capazes de equilibrar conformidade, portabilidade e governança. Essa base adaptável, alinhada a metas globais de eficiência energética, será essencial para sustentar o crescimento de cargas de trabalho de IA e garantir que a expansão dos data centers ocorra de forma soberana e sustentável.

O momento de planejar é agora
Existem vários passos que os líderes podem tomar para dar vida a uma estrutura flexível:

Avaliar os riscos relativos: Nem todos os dados carregam o mesmo risco de soberania. Mapeie o cenário de suas aplicações para identificar o que realmente requer proteção soberana.

Adotar uma abordagem híbrida: Mantenha cargas de trabalho e aplicações críticas em ambientes soberanos, enquanto aproveita a nuvem pública para as menos sensíveis.

Escolha parceiros com capacidade de soberania: Priorize provedores que garantam independência jurisdicional, resiliência e conformidade, sem sacrificar o desempenho ou a portabilidade.

Prepare-se para a evolução regulatória: Conselhos com alfabetização digital e organizações com estruturas de governança claras estarão mais preparados para lidar com as mudanças em um ambiente cada vez mais geopolitizado.

Caminhos Soberanos
No fim, a soberania de dados não é uma escolha entre extremos. Vivemos em um mundo profundamente conectado, no qual as próprias tecnologias desafiam continuamente suas convenções. Reguladores e empresas precisam evitar tanto a negação do status quo quanto o isolamento em sistemas fechados.

As novas estruturas soberanas devem alinhar os objetivos de inovadores e formuladores de políticas, unindo a responsabilidade de proteger estados e mercados com a necessidade de impulsionar sustentabilidade e avanço tecnológico. Embora poucas nações possam competir com as superpotências digitais, muitas podem fortalecer seus próprios ecossistemas ao avaliar riscos, adotar arquiteturas flexíveis e se preparar para as regulamentações que estão por vir.

Uma base flexível e resiliente será decisiva para sustentar a confiança, garantir a continuidade dos negócios e preparar o mundo corporativo para prosperar em meio às próximas transformações.

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